Brasil e EUA definem data de reunião para discutir tarifaço

Encontro virtual sobre o tarifaço ocorrerá na próxima segunda-feira entre autoridades de Brasil e EUA

Foto:  Tânia Rêgo/Agência Brasil
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Brasil e Estados Unidos retomam as negociações comerciais na próxima semana, em meio ao tarifaço. O encontro será virtual para tentar avançar no diálogo.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, vão se reunir na próxima segunda-feira (31), às 14h30, no horário de Brasília.

A retomada das conversas foi acertada durante telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado na última sexta-feira (21). Segundo o Palácio do Planalto, a conversa durou cerca de uma hora e 20 minutos.

Durante a ligação, Lula defendeu a retomada das negociações e afirmou que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para aplicar as tarifas são infundadas. Lula também argumentou que as medidas prejudicam os dois países.

Entre os argumentos apresentados pelo governo norte-americano estão questões envolvendo desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos relacionados ao trabalho forçado.

Reunião pode abrir novo caminho

O encontro será uma oportunidade para discutir os impactos das tarifas e buscar alternativas.

Trump sinalizou disposição para manter o contato com o governo brasileiro e concordou com a necessidade de preservar os vínculos comerciais entre os dois países.

A expectativa é transformar o contato político em negociações concretas. O resultado dependerá da disposição dos dois governos para encontrar pontos de acordo.

Entenda o tarifaço dos EUA

tarifaço dos estados unidos – Foto: Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil

Em julho, os Estados Unidos impuseram uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos provenientes do Brasil, após um período de análise das relações comerciais.

Entre os setores atingidos estão ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, máquinas agrícolas, máquinas elétricas não destinadas à aviação e outros produtos manufaturados.

Na sequência, uma sobretaxa adicional de 12,5% foi aplicada a mais produtos brasileiros. Segundo o governo norte-americano, a medida estaria relacionada à falta de mecanismos considerados eficazes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

De acordo com levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as tarifas atingem cerca de US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras para o mercado norte-americano.

Brasil levou questão à OMC

Antes da retomada das negociações bilaterais, o governo brasileiro apresentou um pedido de consultas no sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Brasília argumenta que as tarifas impostas pelos Estados Unidos são inconsistentes com as regras da entidade. Os norte-americanos aceitaram participar das consultas no âmbito da organização.

A abertura desse procedimento não impede as conversas bilaterais. Pelo contrário, o governo brasileiro pode usar os dois caminhos simultaneamente para pressionar por uma revisão das medidas e preservar os interesses dos exportadores nacionais.

A negociação diplomática, portanto, ganha importância enquanto a disputa segue no campo multilateral.

O governo brasileiro destaca que os Estados Unidos possuem superávit na relação comercial bilateral.

Opinião: diálogo é melhor caminho

A reunião marcada para segunda-feira é importante para reduzir a tensão comercial. Na minha avaliação, manter o diálogo aberto é o caminho mais racional neste momento, porque uma guerra tarifária pode gerar prejuízos para empresas, trabalhadores e consumidores.

O Brasil precisa defender seus interesses, mas deve evitar que a disputa política impeça uma solução econômica. A negociação direta, acompanhada da atuação diplomática e das discussões na OMC, oferece mais possibilidades de resultado do que uma escalada de retaliações.

O encontro não garante o fim do tarifaço, mas cria uma oportunidade para que os dois governos avancem em uma solução negociada.