Novo preço do QAV já está em vigor e varia de R$ 5,44 a R$ 5,70 por litro nas refinarias da Petrobras; combustível representa cerca de 30% dos custos das companhias aéreas

A Petrobras aumentou em 13,9%, em média, o preço do querosene de aviação (QAV) vendido no Brasil. O novo valor passou a valer nesta terça-feira (1º) e representa um acréscimo médio de R$ 0,68 por litro.
Nas refinarias da estatal, o preço do combustível agora varia entre R$ 5,44 e R$ 5,70 por litro, dependendo da localidade.
Segundo a Petrobras, o reajuste está relacionado principalmente à alta das cotações internacionais do QAV em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Quanto subiu o preço do querosene de aviação?
O reajuste não foi igual em todas as unidades da Petrobras. Na comparação com agosto, a maior alta chega a 14,34% em São Luís, enquanto o menor aumento foi registrado em Canoas, no Rio Grande do Sul, com 13,51%.
O preço do QAV comercializado pela Petrobras é atualizado mensalmente. Por contrato, os valores são reajustados sempre no primeiro dia de cada mês.
O combustível é utilizado principalmente em aviões e helicópteros e tem peso significativo nas despesas das empresas do setor aéreo.
De acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o querosene de aviação representa aproximadamente 30% das despesas operacionais das companhias aéreas brasileiras.
QAV já subiu mais de 50% em 2026
O aumento de setembro ocorre depois de uma sequência de fortes oscilações ao longo do ano.
Desde o início de 2026, o preço do querosene de aviação acumulou alta de 53,3%, o equivalente a um aumento de R$ 1,94 por litro, segundo a Petrobras.
A estatal afirma que o reajuste mais recente acompanha a elevação das cotações internacionais do combustível, pressionadas pelas tensões no Oriente Médio.
A situação também afeta a cadeia internacional de petróleo e derivados, principalmente por causa da instabilidade envolvendo o Estreito de Ormuz, importante rota marítima localizada ao sul do Irã.

Guerra no Oriente Médio influencia preço do QAV
A Petrobras atribui parte importante da pressão sobre os preços à guerra no Oriente Médio e aos impactos provocados sobre a logística da indústria global de petróleo.
O Estreito de Ormuz é considerado estratégico para o comércio internacional de energia. Antes do conflito, cerca de 20% da produção internacional de petróleo e gás passava pela região.
Com possíveis restrições à oferta e aumento das incertezas no mercado, as cotações internacionais podem subir.
Mesmo sendo um dos grandes produtores de petróleo, o Brasil não está isolado dessas oscilações. Petróleo e seus derivados são commodities negociadas internacionalmente, o que faz com que os preços domésticos sejam influenciados pelo mercado externo.
Petrobras permite parcelamento do reajuste
A Petrobras também anunciou a retomada, em setembro, do programa de parcelamento dos reajustes do QAV.
A medida permite que as distribuidoras parcelem o aumento em três parcelas mensais, com o objetivo de reduzir o impacto financeiro provocado pela alta do combustível.
A estratégia já havia sido utilizada anteriormente. Em abril, por exemplo, o QAV teve um aumento de 55%, enquanto em maio houve nova alta de 18%.
Naquele período, a Petrobras permitiu o parcelamento para diminuir o impacto sobre o caixa das companhias aéreas.
Nos meses seguintes, houve redução dos preços em junho e julho, mas o combustível voltou a subir em agosto e agora em setembro.
A Petrobras informou ainda que todo o volume solicitado pelas distribuidoras está garantido.
Como funciona a venda do QAV no Brasil?
A Petrobras vende o querosene de aviação produzido em suas refinarias ou importado para as distribuidoras.
Depois da compra, essas empresas são responsáveis pelo transporte e pela comercialização do combustível para companhias aéreas, outros consumidores finais e revendedores nos aeroportos.
A Petrobras responde por aproximadamente 85% da produção de QAV no país, mas o mercado brasileiro é aberto à concorrência.
Isso significa que outras empresas podem atuar na produção ou importação do combustível, sem exclusividade da estatal.
Opinião: alta do QAV pode pressionar custos das viagens
Como o querosene representa uma parcela relevante dos custos das companhias aéreas, uma alta acumulada de 53,3% no ano aumenta a pressão sobre o setor.
O impacto final para o consumidor, porém, não depende apenas do preço do QAV. Outros fatores, como câmbio, demanda, custos operacionais e estratégias comerciais das empresas aéreas, também influenciam o valor das passagens.
Ainda assim, a nova alta reforça a importância do combustível de aviação na formação dos custos do setor e mantém as companhias diante de um cenário de maior pressão financeira.

