INFLAÇÃO DESPENCA! Veja o que ficou mais barato em julho de 2026

Inflação desacelera para 0,07% em julho e IPCA acumulado volta à meta. Veja os alimentos que ficaram mais baratos e o que subiu de preço.

Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

A inflação oficial do Brasil perdeu força pelo quarto mês consecutivo e praticamente zerou em julho. O IPCA ficou em 0,07%, segundo dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado foi influenciado principalmente pela queda nos preços dos alimentos, que ajudou a reduzir a pressão sobre o orçamento das famílias.

Com isso, o IPCA acumulado em 12 meses chegou a 4,44%, voltando para dentro do intervalo da meta de inflação estabelecida pelo governo.

Inflação de julho foi a menor desde 2025

O resultado de julho foi o menor registrado desde agosto de 2025, quando o IPCA havia avançado 0,11%. Considerando especificamente os meses de julho, foi a menor taxa desde 2022, quando houve deflação de 0,68%.

A inflação acumulada em 2026 também mostra uma desaceleração nos últimos meses:

  • Janeiro: 0,33%
  • Fevereiro: 0,70%
  • Março: 0,88%
  • Abril: 0,67%
  • Maio: 0,58%
  • Junho: 0,16%
  • Julho: 0,07%

O resultado veio exatamente em linha com a previsão do mercado financeiro divulgada no Boletim Focus.

IPCA volta para dentro da meta

Com a inflação acumulada em 4,44% nos últimos 12 meses, o índice voltou para dentro do intervalo de tolerância da meta.

A meta central é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Dessa forma, o limite máximo é de 4,5%.

O acumulado havia ultrapassado esse teto em maio, quando chegou a 4,72%, e permaneceu acima dele em junho, com 4,64%.

Desde 2025, a avaliação da meta considera o período de 12 meses imediatamente anteriores. A meta é considerada descumprida quando a inflação permanece acima ou abaixo do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos.

Alimentos ajudam a segurar a inflação

Um dos principais destaques do resultado de julho foi o grupo Alimentação e bebidas, que registrou queda de 0,67%.

Foi o segundo mês consecutivo de deflação no segmento. A alimentação consumida dentro de casa ficou ainda mais barata, com recuo de 1,14%.

Entre os produtos que mais contribuíram para a queda estão:

  • Tomate: -29,09%
  • Batata-inglesa: -19,59%
  • Cenoura: -14,41%
  • Café moído: -2,45%

Segundo o IBGE, a maior oferta de determinados produtos, favorecida pelas condições climáticas, ajudou a reduzir os preços.

O café também chama atenção: acumulou queda de 17,2% em 12 meses, a maior redução para o produto desde o início do Plano Real.

Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Conta de luz ficou mais cara

Apesar da queda dos alimentos, alguns itens pressionaram o IPCA para cima.

O grupo Habitação avançou 0,99%, principalmente devido à energia elétrica residencial, que ficou 3,09% mais cara e teve o maior impacto individual sobre a inflação do mês.

O reajuste refletiu alterações nas tarifas de energia em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba.

Por outro lado, a expectativa é de algum alívio em agosto, quando os consumidores devem receber o chamado Bônus Itaipu na conta de luz.

Transportes têm alta das passagens aéreas

No grupo Transportes, o destaque negativo ficou com as passagens aéreas, que subiram 11,67% em julho.

Os combustíveis, entretanto, ficaram mais baratos. O etanol caiu 2,26%, a gasolina recuou 1,37%, o óleo diesel teve queda de 1,22% e o gás veicular diminuiu 0,08%.

No geral, metade dos 377 produtos e serviços pesquisados pelo IBGE apresentou aumento de preços em julho, levando o índice de difusão para 50%.

Opinião: inflação menor traz alívio, mas ainda exige atenção

A desaceleração do IPCA é uma notícia positiva para o consumidor, principalmente porque os alimentos, que têm forte peso no orçamento das famílias, começaram a registrar quedas mais expressivas.

Voltar para dentro do intervalo da meta também melhora o cenário para a economia e pode ajudar a reduzir a pressão sobre os juros no futuro.

Ainda assim, é cedo para considerar a inflação definitivamente controlada. Serviços, energia e outros componentes continuam pressionando os preços, enquanto as expectativas para o IPCA de 2026 permanecem acima da meta central.