Petrobras avalia atuação em quatro blocos de petróleo na Bacia de Keta, em Gana, como parte da estratégia para ampliar suas fronteiras de exploração de óleo e gás

A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (21) que iniciou negociações para atuar na exploração de petróleo em Gana, país localizado na costa Oeste da África.
A estatal brasileira foi habilitada pelo governo ganês a negociar contratos para quatro blocos exploratórios offshore na Bacia de Keta.
A iniciativa faz parte da estratégia da companhia de buscar novas fronteiras para a produção de petróleo e gás, especialmente diante da perspectiva de redução da produção do pré-sal brasileiro nas próximas décadas.
Segundo a Petrobras, o Ministério de Energia e Transição Verde de Gana aprovou a habilitação da empresa, permitindo o início da negociação direta dos termos dos contratos de exploração.
Petrobras quer ampliar presença na África
A entrada em Gana reforça o movimento da Petrobras de aumentar sua presença no continente africano.
Atualmente, a companhia possui participação em projetos na Namíbia, São Tomé e Príncipe e África do Sul. Em São Tomé e Príncipe, a estatal participa de quatro blocos exploratórios, sendo três deles operados pela Shell.
Na África do Sul, a Petrobras possui participação no bloco Deep Western Orange Basin (DWOB), operado pela TotalEnergies.
Já na Namíbia, a empresa assinou contrato para adquirir participação no Bloco 2613 e aguarda a confirmação das autoridades locais para concluir sua entrada no projeto.
A Petrobras também mantém operações e participações em outros países, como Argentina, Bolívia, Colômbia e Estados Unidos.
Em junho de 2026, a companhia firmou um entendimento com a mexicana Pemex para estabelecer uma cooperação estratégica e técnica voltada ao Golfo do México.

O que a Petrobras pretende explorar em Gana?
Os quatro blocos que estão em negociação ficam em águas offshore da Bacia de Keta.
Neste momento, ainda não se trata de uma operação de produção de petróleo. A Petrobras está na etapa de negociação dos contratos exploratórios, que antecede a realização das atividades de pesquisa e perfuração.
Essa fase é importante para determinar se existem reservas economicamente viáveis na região.
Caso os estudos e as futuras perfurações confirmem a presença de petróleo em quantidade e qualidade comercialmente interessantes, o projeto poderá avançar posteriormente para outras etapas de desenvolvimento.
Petrobras também avança na Margem Equatorial
A movimentação internacional ocorre paralelamente ao avanço da Petrobras em uma das principais apostas da companhia no Brasil: a Margem Equatorial.
A empresa anunciou nesta semana os primeiros indícios de petróleo no poço Morpho, localizado no bloco BM-FZA-59, no litoral do Amapá.
O poço fica a aproximadamente 175 quilômetros do Oiapoque e 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas.
Apesar da descoberta, a Petrobras ainda precisa concluir a perfuração e realizar análises para determinar o tamanho do reservatório e a qualidade do petróleo encontrado.
A Margem Equatorial é considerada estratégica pela companhia justamente porque pode ajudar a compensar a futura redução da produção do pré-sal.

Por que Gana é importante para a Petrobras?
A busca por novas áreas de exploração está diretamente relacionada ao planejamento de longo prazo da estatal.
A própria Petrobras estima que a produção do pré-sal deve atingir seu pico próximo de 2034, caso não haja expansão das reservas. Isso aumenta a importância de encontrar novas áreas capazes de sustentar a produção de petróleo e gás nas décadas seguintes.
Nesse cenário, projetos exploratórios em países africanos podem funcionar como uma alternativa para diversificar o portfólio da companhia.
Além disso, a Petrobras já possui experiência operacional em águas profundas e ultraprofundas, conhecimento que pode ser aproveitado em novas fronteiras offshore.
Minha opinião
A estratégia de buscar novas fronteiras de exploração faz sentido para a Petrobras, principalmente porque a empresa não pode depender indefinidamente das reservas atuais do pré-sal.
Gana pode representar uma oportunidade interessante, mas é importante separar potencial exploratório de produção efetiva.
A Petrobras ainda está no início do processo e será necessário descobrir se os quatro blocos realmente possuem reservas economicamente viáveis.
Ao mesmo tempo, vejo a expansão internacional como um complemento, e não como substituição das oportunidades existentes no Brasil.
A Margem Equatorial continua sendo um ativo estratégico para a companhia, especialmente diante da perspectiva de pico de produção do pré-sal na próxima década.
No fim, a diversificação pode ajudar a Petrobras a garantir novas fontes de produção no futuro, mas o retorno desses investimentos dependerá dos resultados das próximas etapas de exploração.

